Se a criança tiver dificuldade para respirar, convulsão, sonolência incomum, manchas que não desaparecem à pressão ou piora rápida, procure atendimento presencial imediatamente ou ligue para o Samu, no número 192. Não espere uma consulta agendada.
Febre costuma preocupar, principalmente quando aparece em um bebê ou durante a madrugada. O termômetro ajuda, mas responde apenas a uma parte da questão. O estado geral da criança, a idade e os outros sintomas são tão importantes quanto o número mostrado no visor.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a temperatura axilar igual ou superior a 37,5 °C é geralmente considerada febre. Esse valor não deve ser analisado sozinho. Uma temperatura mais alta não significa, obrigatoriamente, que a doença seja mais grave. Da mesma forma, uma febre baixa pode acompanhar um quadro que precisa de avaliação.
Primeiro, meça a temperatura corretamente
Prefira um termômetro digital e siga as instruções do fabricante. Para medir na axila, deixe a pele seca, posicione a ponta do aparelho no centro da axila e mantenha o braço da criança junto ao corpo até o aviso do termômetro.
Anote o horário, a temperatura medida e os medicamentos administrados. Esse registro ajuda a evitar doses repetidas e facilita a conversa com o médico.
Evite avaliar a febre apenas encostando a mão na testa. A sensação ao toque pode enganar.
Observe a criança, não apenas o termômetro
Enquanto acompanha a febre, veja como a criança está se comportando:
- acorda e responde normalmente?
- mantém contato e demonstra interesse pelo ambiente?
- consegue beber líquidos ou mamar?
- está urinando?
- respira sem esforço?
- apresenta dor forte, vômitos repetidos ou manchas na pele?
- melhora um pouco quando o desconforto diminui?
Essas respostas ajudam a perceber se o quadro pode ser acompanhado por algumas horas ou se a criança precisa ser examinada.
Quando é possível acompanhar em casa
Em geral, uma criança com mais de três meses pode ser observada em casa por um período quando:
- está acordada e reage normalmente;
- respira sem esforço;
- aceita líquidos ou continua mamando;
- está urinando;
- não apresenta sinais de alarme;
- o responsável consegue observá-la com frequência.
Mesmo nessas condições, procure orientação se algo no comportamento da criança parecer diferente ou preocupante. Pais e responsáveis conhecem o padrão habitual da criança e costumam perceber mudanças importantes.
O que fazer em casa
Ofereça líquidos com frequência. Para bebês em aleitamento materno, mantenha as mamadas. Não force alimentos se a criança estiver sem apetite por algumas horas, mas observe se ela consegue beber e se continua urinando.
Use roupas confortáveis e evite excesso de cobertores. Banhos frios, compressas geladas e álcool na pele não são recomendados. Além de aumentarem o desconforto, esses métodos não tratam a causa da febre.
O antitérmico tem o objetivo de aliviar o desconforto, não de manter a temperatura sempre normal. Use apenas um medicamento adequado à idade, na dose orientada para o peso atual da criança. Se não souber a dose correta, fale com um médico ou farmacêutico antes de administrar.
Não alterne antitérmicos por conta própria. Essa prática aumenta o risco de erro de dose e intoxicação. Crianças também não devem receber ácido acetilsalicílico para tratar febre.
Quando falar com o médico no mesmo dia
Procure orientação médica no mesmo dia se:
- o bebê tiver menos de três meses e apresentar temperatura elevada;
- a criança tiver uma doença crônica importante ou baixa imunidade;
- estiver muito abatida, irritada ou diferente do habitual;
- recusar líquidos ou mamar muito menos;
- urinar menos do que o habitual;
- apresentar vômitos repetidos;
- tiver dor forte ou persistente;
- surgirem manchas na pele;
- a febre persistir, voltar repetidamente ou vier acompanhada de piora do estado geral.
A avaliação pode começar por telefone ou vídeo, mas o médico poderá indicar um exame presencial.
Quando procurar atendimento imediatamente
Leve a criança a um serviço de urgência ou ligue para o Samu pelo número 192 se ela apresentar:
- dificuldade para respirar, respiração muito rápida ou afundamento das costelas;
- lábios ou extremidades arroxeados;
- sonolência incomum ou dificuldade para acordar;
- confusão, pouca resposta ou comportamento muito diferente;
- convulsão;
- rigidez no pescoço;
- manchas vermelhas ou arroxeadas que não desaparecem quando pressionadas;
- incapacidade de beber líquidos, vômitos persistentes ou redução importante da urina;
- dor abdominal forte e contínua;
- sangramento no nariz, na gengiva, nas fezes ou no vômito;
- piora rápida, mesmo que a temperatura esteja diminuindo.
Não espere uma consulta agendada se houver algum desses sinais.
Atenção à possibilidade de dengue
No Brasil, quadros de febre também exigem atenção à dengue. Dor forte na barriga, vômitos persistentes, sangramento, sonolência intensa ou piora justamente quando a febre começa a baixar são sinais que precisam de avaliação rápida.
Se houver suspeita de dengue, não use anti-inflamatórios, como ibuprofeno, nem ácido acetilsalicílico sem orientação médica. Esses medicamentos podem aumentar o risco de sangramento.
O número não conta toda a história
Não existe uma temperatura única que separe todos os quadros leves dos graves. Idade, comportamento, respiração, hidratação e sintomas associados precisam ser considerados em conjunto.
Se você estiver insegura, entre em contato com um profissional de saúde. Se a criança apresentar um sinal de urgência, procure atendimento presencial imediatamente.
Entre em contato pelo WhatsApp e informe a idade da criança e os sintomas observados.
Falar no WhatsAppEste texto oferece orientações gerais. Ele não substitui a avaliação da criança nem deve ser usado para definir medicamentos ou doses sem orientação profissional.
Fontes consultadas
- Sociedade Brasileira de Pediatria — Abordagem da Febre Aguda em Pediatria
- Sociedade Brasileira de Pediatria — sinais de alerta em doenças respiratórias na infância
- Ministério da Saúde — Caderneta Digital da Criança
- NHS — febre em crianças
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